O CONCEITO DE POLÍTICA EM ARISTÓTELES
Aristóteles começou a escrever suas teorias políticas quando foi preceptor
de Alexandre, “O Grande”. Para Aristóteles a Política é a ciência mais suprema,
a qual as outras ciências estão subordinadas e da qual todas as demais se
servem numa cidade. A tarefa da Política é investigar qual a melhor forma
de governo e instituições capazes de garantir a felicidade coletiva. Segundo
Aristóteles, a pouca experiência da vida torna o estudo da Política supérfluo
para os jovens, por regras imprudentes, que só seguem suas paixões. Embora não
tenha proposto um modelo de Estado como seu mestre Platão, Aristóteles foi o
primeiro grande sistematizador das coisas públicas. Diferentemente de Platão,
Aristóteles faz uma filosofia prática e não ideal e de especulação como seu
mestre. O Estado, para Aristóteles, constitui a expressão mais feliz da
comunidade em seu vínculo com a natureza. Segundo Aristóteles, assim como é
impossível conceber a mão sem o corpo, é impossível conceber o indivíduo sem o
Estado. O
homem é um animal social e político por natureza. E, se o homem é um animal
político, significa que tem necessidade natural de conviver em sociedade, de
promover o bem comum e a felicidade. A pólis grega encarnada na figura do
Estado é uma necessidade humana. O homem que não necessita de viver em
sociedade, ou é um Deus ou uma Besta. Para Aristóteles, toda cidade é uma
forma de associação e toda associação se estabelece tendo como finalidade algum
bem. A comunidade política forma-se de forma natural pela própria tendência que
as pessoas têm de se agruparem. E ninguém pode ter garantido seu próprio bem
sem a família e sem alguma forma de governo. Para Aristóteles os indivíduos não
se associam somente para viver, mas para viver bem. Dos agrupamentos das
famílias formam-se as aldeias, do agrupamento das aldeias forma a cidade, cuja
finalidade é a virtude dos seus cidadãos para o bem comum. A cidade
aristotélica deve ser composta por diversas classes, mas quem entrará na
categoria de cidadãos livres que podem ser virtuosos são somente três classes
superiores: os guerreiros, os magistrados e os sacerdotes. Aristóteles aceita a
escravidão e considera a mesma desejável para os que são escravos por natureza.
Estes são os incapazes de governar a si mesmo, e, portanto, devem ser
governados. Segundo Aristóteles, um cidadão é alguém politicamente ativo e
participante da coisa pública. Segundo Aristóteles, sem um mínimo de ócio não
se pode ser cidadão. Assim, o escravo ou um artesão não se encontra
suficientemente livre e com tempo para exercer a cidadania e alcançar a
virtude, a qual é incompatível com uma vida mecânica. E os escravos devem
trabalhar para o sustento dos cidadãos livres e virtuosos. Aristóteles contesta
o comunismo de bens, mulheres e crianças proposto por Platão. Segundo ele,
quanto mais comum for uma coisa menos se cuida dela.
COMENTÁRIOS DE VALDENI CRUZ
Analisando esse conceito de política, segundo a visão de Aristóteles, se
torna uma utopia, quando percebemos o qual é a política da nossa realidade.
Nossos políticos se comportam completamente ao contrário desse conceito
aristotélico.
O que estamos vendo a gora e pelo que sabemos da história, recente e
antiga, é que dos que se decidem a seguir a carreira política, poucos foram os
que realmente foram exemplos honrados de homens públicos. A maioria deles
permanecia no poder a vida toda mantendo seus súditos sob seus domínios, o que
para isso usavam da força para forçá-los a obediência.Geralmente esses
governantes se aproveitavam do poder a eles conferidos para explorarem os
trabalhadores em benefícios próprio, através da corrupção e aberração de toda
desordem.
Voltando-nos para uma realidade mais próxima de nós, o próprio Brasil, é um
exemplo claro das atrocidades políticas cometidas no decorrer de sua história,
seja ela do Período Imperial ou no Período Republicano.
É triste lermos na história relatos de pessoas que eram enforcadas,
esquartejadas e jogadas nas praças públicas para amedrontar a toda população de
uma cidade, província ou no país como um todo, só para que fosse demonstrada a
força de um determinado governante.
Sem me estender muito nesses fatos que estão registrados na história de
nosso país, quero dizer que essa realidade continua nos nossos dias atuais.
Todos os dias nós assistimos a noticiários de casos que nos causam repugnância.
São escândalos de toda ordem. Homens públicos que deveriam preservar a
ordem publica, o bem comum, que é a máxima, digamos assim, da política,
aproveitando – se daquilo que é gerado pelo próprio povo, que são os impostos,
para fins pessoais em detrimentos de uma maioria que fica jogada a própria
sorte.
Conversando com um amigo meu, ele disse que mesmo aqueles que agente pensa
que tem boas intenções, estão sempre com segundas intenções, tentando
aproveitar-se de alguma situação para beneficiar-se.
Isso fica provado quando percebemos que governadores, prefeitos, deputados,
entre outros, fazem desvios de verbas utilizando-se de falcatruas, através de
licitações fraudulentas, onde se juntam a cambada de espertalhões e
aproveitadores dos benefícios públicos para construírem seu patrimônio
individual.
Por trás de toda essa safadeza tem sempre os que fazem papel de trouxa. São
os chamados laranja, que se oferecem para prestar esse papel deplorável. O mais
incrível de tudo isso é que querem causar sempre a impressão de que estão sim
fazendo o melhor pela Cidade, Estado, ou outras instâncias.
É
vergonhoso termos que conviver com essa realidade constantemente de desvios de
verbas publicas, que seriam usadas para educação, construção de casas para quem
não tem moradia, gerar empregos, matar a fome das pessoas, irem para as contas
de alguns charlatães, que estando assumindo um cargo que foi conferido pelo povo,
não dão minha para essa realidade. É revoltante e o mais doloroso é ver que
existem pessoas com sã consciência concordando com tal realidade sem nenhum
constrangimento.
Essa é de fato uma realidade amarga que nos faz pensar seriamente sobre...
Fico particularmente inquieto com tudo isso. Ver esses nossos
representantes políticos contra o seu próprio povo. Mas ao mesmo tempo consigo
detectar a terrível idéia e que isso é na verdade características do homem. É o
desejo de ser, poder. Não importa o que eu tenha que fazer para chegar aonde
quer. O que importa são os objetivos que quero alcançar. Embora que para isso
tenha que perder a vergonha, o senso da ética. Mando tudo embora para poder
corresponder com minha ansiedade de ter. Se não consigo sendo uma pessoa
normal, usando os meus dons naturais do trabalho da honestidade, que mesmo eu
sabendo que é um caminho seguro, prefiro ir por vias intermediárias para chegar
mais rápido. Isso requer de mim uma capacidade de sufocar meus princípios em
nome do poder, da fama, da glória... Pergunto, será que tudo isso é valido?
É dentro desse chiqueiro de porcos que vejo que anda a
política brasileira. As reportagens de televisão nos são a dimensão do
descaramento desses nossos políticos. Devoram o dinheiro publico em benefícios
próprios, usando de uma safadeza chamada marketing para despistar a opinião
pública da realidade em que se encontram. Desprovidas de uma capacidade de
discernimento, a própria população continua sendo refém desse sistema de
coronelismo disfarçado.
Hoje não se usa mais o chamado voto de cabresto como antigamente, mas
talvez hoje seja pior, pois são enganadas de uma só vez através da mídia. É de
doer, mas é essa a nossa verdade. Talvez levem anos, décadas ou até mais para
aprendermos em que mundo estamos vivendo.
Quando me perguntam se serei candidato em 2012, fico
meio perturbado com a idéia. Não tenho como meta ser político de partido,
exatamente por estar cercado por essa realidade negativa. Mas ao mesmo tempo
penso: será que todo mundo que entra na política tem que ser mesmo corrupto? E
o que não faltam são pessoas que me digam que não é. Fico pensando: será que
todo político tem realmente perder o caráter, se submetendo a corrupção e a
desonestidade para se dar bem na vida? Não acredito nessa realidade, mas a
coisa e tão cruel que ficamos na dúvida se o que dizem não é realmente verdade.
Alguns dizem: Bobagem todo mundo que entra pra política só entra pra
roubar; só pensa em se dar bem, o resto que se lasque. Isso é uma prova E, se pensam dessa
forma, como é que pensam que essa realidade vai mudar?