AS
VANTAGENS DA LÍNGUA PORTUGUESA NAS RELAÇÕES INTERCULTURAIS ENTRE OS POVOS DA
CPLP[1]
Por:
Alberto Cambolo Ngonga Baião[2]
Resumo
A presente comunicação tem, por finalidade a demonstração
e a exaltação do valor da língua portuguesa na CPLP. O presente artigo é fruto
de uma reflexão pessoal inspirada na temática central da semana da lusofonia “Lusofonia,
identidade e diversidade Cultural” nele procuraremos descrever os
aspectos mais importantes da língua portuguesa como a ferramenta chave nas
relações inter-pessoais e interculturais dos povos da CPLP.
Palavras-chave:
Comunidade Linguística, Língua, Povo e Relações Interculturais
Desde a sua manifestação como símbolo da identidade
cultural no espaço lusófono, a Língua Portuguesa tem desempenhado um papel
fulcral nas relações interculturais entre os povos da CPLP e não só. Como
podemos testemunhar com as cintilantes relações diplomáticas, académicas,
trocas científicas, mercado (economia), (concertação política comunitária),
desporto (Jogos Comunitários), interculturais e as mutáveis comunicações na
lusofonia na criação e recriação de novas ferramentas que sempre favoreceram a
troca de experiência entre os povos desta comunidade linguística portuguesa,
que também já é conhecida por comunidade lusófona.
A presença da língua portuguesa nos PALOP[3] ,
e a sua omnipresença inter-continental, demonstra por si só a sua grande
vantagem na comunicação entre os povos da lusofonia. A presença da Língua
Portuguesa nos continentes Africano, Europeu, Asiático e Americano, país da
CPLP, olhando pela diversidade linguística dos países da CPLP, e dispersão
continental, a Língua Portuguesa aparece como vector móvel entre os povos que
formam esta comunidade.
O que virá então a ser uma comunidade linguística
portuguesa?
Esta comunidade linguística portuguesa é o conjunto
de povos que se expressam na mesma língua, uma vez que a língua Portuguesas não
é uma língua estanque, trata-se de uma língua aberta a novas palavras, novos
termos. Embora tenhamos todos de ter os devidos cuidados em mantê-la viva
respeitando-a na sua forma original. Podemos exemplificar aqui a introdução de
alguns termos meramente Angolanos, tais como, maximbombo, bué entre outros, logicamente que na essência estas
palavras em termos de escrita original seria outra, porém ao ser enquadrada na língua
Portuguesa esses mesmos termos, foram aportuguesados. Neste contexto devemos
sempre respeitar a essência da língua originária da Pátria Mãe que é Portugal.
Fazendo assim com que todos os povos que têm como escolha esta língua se possam
continuar a entender e a ajudar no aperfeiçoamento da mesma; A CPLP (Comunidade
de Países de Língua Portuguesa) e evitando uma ladainha de vantagens da Língua
Portuguesa nas relações interculturais entre os povos da CPLP, achamos
pertinente destacar as mais notáveis que aparecem frequentemente no espaço
lusófono, não obstante da diversidade cultural, etnolinguística e história
diferente.
· Trocas científicas: A Língua Portuguesa,
hodiernamente continua a desempenhar um papel considerável na CPLP, sobretudo
nas relações interculturais entre os povos desta comunidade linguística,
concretamente nas trocas científicas que são feitas dentro da mesma. Este
contributo da Língua Portuguesa como linha unificadora da CPLP, não está
limitado apenas neste campo, porém estende-se a outros campos como:
· Mercado (economia): Olhando pela
diversidade cultural e linguística do espaço lusófono e a dispersão
continental, a Língua Portuguesa, torna-se favorável para o intercâmbio
comercial e económico entre os povos da CPLP, disponibilizando os elementos
linguísticos para os possíveis contactos.
· Diplomacia (concertação política comunitária),
A concertação Política no espaço lusófono, tem como elemento chave a língua,
aquela que se torna mais importante pela comunicação oral e escrita, sem ela
não haveria comunicação. Mas que língua estaríamos nós a apresentar, se os
povos da CPLP pela sua diversidade cultural e dimensão antropológica possuem
linhas divisórias distintas? Esta é uma questão a ponderar.
Sem a Língua Portuguesa, não há lusofonia e é esta
língua que abre as relações diplomáticas com maior facilidade entre os povos
desta Comunidade linguística. É a Língua Portuguesa, que aparece na CPLP, como
porta magna que se abre ao mundo para auxiliar e abraçar a comunicação clara e
objectiva deste universo lusófono com uma diversidade cultural muito abismal.
Tudo isto se processa na comunicação linguística portuguesa, aquela que sem ela
não se poderá falar sequer em relações diplomáticas, cientificas,
interculturais, interpessoais, desportivas etc.
Sem a devida comunicação nada se poderá fazer. Mas é
importante saber que qualquer debate que se abre na CPLP, tem como ferramenta
principal a comunicação linguística portuguesa, não obstante a diversidade
cultural e aplicação linguística que se encara nos PALOP.
A Língua Portuguesa surge como a língua oficial da
Comunidade de Países de Língua Portuguesa, o que nos merece a todos uma
relevância de respeito pela originalidade e legalidade da mesma.
É a Língua Portuguesa que revela o elemento
unificador da CPLP e com ela os seus falantes se actualizam frequentemente nos
aspectos mais evolutivos que aparecem no espaço lusófono.
Portanto, a Língua Portuguesa, surge na CPLP como
característica de defesa que me permiti identificar nas relações
interculturais, os laços culturais e a diversidade etnolinguística entre os
Povos da CPLP.
Estas vantagens também são extensivas no Desporto
(Jogos Comunitários). A CPLP, não será uma simples Comunidade de Países de
Língua Portuguesa, limitada apenas na expressão linguística, será sempre a
ferramenta principal nas relações interculturais entre os povos que podem e
devem usar de forma correcta, exemplar e de respeito para com a língua mãe por
todos nós escolhidos. Devemos usá-la nas mais distintas áreas para alçar as
relações salutares através da Língua Portuguesa, como vector principal da sua/nossa
comunidade. « [..]. A CPLP, buscar o aprofundamento da amizade mútua e da
cooperação entre os países membros» ( cfr. Jornal de Angola, 2016.p3).
Mas para uma boa compreensão da nossa abordagem
temática, procuramos elucidar os conceitos chave da nossa comunicação que podem
ser definidos na seguinte maneira:
· Para o dicionário da Língua Portuguesa
(2010,p.1651) o termo vantagem, significa: «Qualidade do que está adiante,
utilidade [...], lucro». Já na visão do senso comum e ao nosso ver, uma coisa vantajosa,
é aquela que é lucrativa, importante e que possui características
preponderantes que despertam o interesse comum. Assim sendo, torna-se vantajosa
nas relações interculturais entre os povos da CPLP porque se consegue unificar
os povos da toda a comunidade linguística portuguesa, não obstante a sua
diversidade cultural e até para muitos étnicos. (devemos assim e em termos mais
respeitosos, retirar das nossas mentes, as etnias, referirmos apenas tal como
na língua materna os seres humanos!).
· Por povo, entende-se um conjunto de habitantes de
um país» (idem, p.1318).
Falar do povo, é necessariamente dissertar aspectos
que estão ligados a uma nação, e a CPLP está voltada na ligação de povos que
são representados por vários países que formam esta comunidade linguística
portuguesa, aproximar os povos através da Língua Portuguesa.
Linguisticamente falando, concebe-se por língua,
idioma ou linguagem que um certo povo ou uma população usa para facilitar a sua
comunicação, tendo por base a própria escolha.
Já para Dias (2005, p. 315) «entende-se por cultura
a totalidade das habilidades, crenças, conhecimentos, bens materiais [.]. Que
são partilhados por um grupo de pessoas [...]».
Assim sendo, ligando os termos relações e cultura,
entenderemos por relações interculturais a partilha de hábitos, costumes,
crenças etc. Que são feitas dentro da diversidade dos povos que formam a
comunidade linguística Portuguesa, no universo.
Como conclusão: Diremos que a expansão da Língua
Portuguesa permitiu o entendimento profícuo nas relações interculturais entre
os povos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, criando laços de
cooperação nas mais distintas áreas e influenciam o entendimento na lusofonia.
Ainda é importante dizer que com a fundação da CPLP
em 17 de Julho de 1996, as relações interculturais na comunidade linguística
portuguesa, tornaram-se mais fortes e mais próximas na resolução dos problemas
que afectam a CPLP, não somente como comunidade linguística mas também como uma
organização voltada para a estabilidade da vida sociopolítica dos países
membros. Portanto, a CPLP tornou-se o maior pilar na lusofonia.
Referência
bibliográfica
Texto
Editores, Dicionário
Integral da Língua Portuguesa: 2010
DIAS, Reinaldo,
Introdução à Sociologia. Pearson Pretince Hal, São Paulo, 2005
JORNAL
de Angola, ano 41 nº14035, 18 de Maio de 2016
Fontes
Orais (Entrevista)
DAMIÃO,
Carlos. Professor de Geografia, Escola do I Ciclo Rainha Mwene Cafunfo,
entrevistado no dia 15 de Setembro de 2016, 19h30.
JOEL,
M. André. Professor de Língua Portuguesa, Escola do I Ciclo do Ensino
Secundário Rainha Mwene Cafunfo, entrevistado no dia 13 de Outubro de 2016,
15h15
CHITA,
Francisco. Professor de Língua Portuguesa, Escola do II Ciclo do Ensino
Secundário Cafunfo Sul, entrevistado no dia 13 de Outubro de 2016, 1h30
[1] Comuidade de Países de Língua
Portuguesa, fundada aos 17 de Julho de 1979
[2] Alberto Cambolo Ngonga Baião. É Escritor, Pesquisador, Palestrante
e Poeta. É formado em Filosofia pelo
Seminário Maior Diocesano de São Paulo-Uíje. Autor dos livros “A Importância do
Perdão na Resolução de Conflitos para o Homem Hodierno” e “Gritos da Alma”.
Conta com participações em distintas conferências nacionais e publicou em
várias Antologias Internacionais da Comunidade Lusófona. Tem, também, vários
artigos publicados em Jornais e Revistas Nacionais e Internacionais. É Membro
da Associação dos Jovens Amigos da Literatura. Frequenta, actualmente, o Curso
de Pedagogia na Escola Politécnica do Cuango, da Universidade Lueji Á Nkonde,
na Lunda Norte. Nasceu no dia 21 de julho de 1989, no Cuango –Lunda Norte.
[3] Países Africanos de Língua
Oficial Portuguesa
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