sábado, 9 de agosto de 2025

 

 

TRIBALISMO:  ENFERMIDADE PARA  O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE

Reflexão antropológica sobre os conflitos étnicos na Bacia do Kwango- Lunda Norte- Angola.

BETO BAIÃO[1]

Professor e Escritor.

albertobaiao21@gmail.com

 RESUMO: O Presente trabalho, tem por objectivo a reflexão sobre o  Tribalismo como en fermidade e obstáculo  da sociedade. Nele, procuramos cogitar a realidade e modus vivendi dos habitantes da Bacia do Kwango, parte sul da Província da Lunda Norte, onde a diversidade étnica e linguística, ainda é um problema maior na esfera social. Habintam nesta região,  vários grupos étnicos, tais com: os Cokwes, Bângalas, Lundas ou Rhunda, Mussukistas, Khalis, Pakas, Xinjis, Kaholos e tantos. Esta diversidade linguística, têm criado constragimentos na política de inclusão ou então na filosofia da unidade na diversidade. As vezes o homem é esquecido pelas suas qualidades, por não pertencer a um certo grupo ou tribo, porque cada um acha-se  superior ao outro. A enfermidade notada no sector público, bem como no privado. Este não é apenas um problema na Bacia do Kwango, mas sim do país. É por esta razão, que trouxemos esta temática como via de compreensão desta enfermidade que mata o desenvolvimento de uma sociedade.  Para termos uma sociedade próspera, é necessário que  se coloque e se reflita bastante sobre o homem na sua dimensão transversal e não pelas suas características segundárias.

Palavras chave: Humanismo, Desenvolvimento e Sociedade

 

 

 

                                                         

 

 

Todo homem que devota o tribalismo é inocente e nega-se a si mesmo enquanto essente que participa no Ente, aquela que é a causa primeira do homem enquanto ser. Daí  que « entre Deus e os humanos não existe nenhum contrato (aliança), porque diante de Deus, o homem apresenta-se como criança, sem título para estabelcer um contrato com o pai» (BONO, 2015, p.21).O Livro  do Gênesis nos remete a uma igualidade totalmente humana, sem cor,  tribo ou etnia.

«Façamos o homem a nossa imagem e semelhança,»( GN 2, 7). De igual modo no novo testamento, a geneologia de Jesus Cristo, filho de Davi, descreve de modo peculiar que todos nós, somos  um só e viemos da mesma árvore antropológica. (cf. Mat. 1, 18. ) O homem é ele mesmo e para com os outros. « o homem participa e faz parte da grande família que compreende os ancenstrais, os vivos  e os que hão de vir no tempo potencial.»(Domingos, 2011 ,p.03)  na cosmovisão bantu, o Mutu ou Munthu revela o ser Pesssoa, aquele que é ele mesmo e semelhante aos outros.  Esta semelhança, este ser homem remete  a uma estreita ligação para com os outros num ambiente mais social.  O Desenvolvimento intregral e harmonioso deste ser dotado de razão, depende também de uma fecunda contribuição dos outros. Cf. Bosch, 2018, p.29). O homem é um apenas ser total Porque ele é um ser  dotado de razão e existe para os outros.  

« estar isolado na sociedade africana, é estar morto»  ( Domingos, 2011,p.3).A  unidade na diversidade é uma característica de um verdadeiro africano, aquele que acredita na humanidade como verdadeira fraternidade. Valores como solidariedade, irmandade, fraternidade e unidade, deveriam norteiar a filosofia de vida da população da Bacia do Kwango para a verdadeira prosperidade da região.  O Tribalismo cria obstáculos no desenvolvimento local. É necessário e urgente que deixemos  de nos preocupar com o homem pela sua cor, tribo, raça ou etnia.  O homem na sua plenitude, não se pode difinir com base na pertença, mas sim pelo que mata o desenvolvimento  de uma sociedade que pretende desenvolver-se  seriamente.  Na Bacia do Kwango, região que engloba a parte sul da Lunda Norte, este fenómeno ainda tem uma legião e profundos devotos, quer na esfera política, social, religiosa, militar, sector empresarial, desporto, político- partidário, associações e sindicatos. Existem ainda alguns sociogramas restritos de radicais que procuram exaltar uma certa etnia para melhor governarem. Outrossim, a gestão de recursos humanos nesta parcela  ainda reflecte um poder oligarquíco, um ciclo vicioso que aos poucos vai matando o progresso.

Uma socieade onde se manifesta constantemente a supermacia de uma tribo, raça ou etnia, dificilmente se  desenvolve. E na Bacia do Kwango, este fenómeno é visível,  mormente na esfera pólitica.  Existe nesta região uma famosa filosofia de governação, aquela que chamam de equilíbrio étnico. Onde, por exemplo, se um Admnistrador Municipal, Comunal ou distrital for Cokwe, impera-se categoricamente que os seus auxiliares sejam da outra tribo, mesmo que não tenham as vezes qualidades suficientes. Mas que seja um cágado por cima de uma árvore.  Esta realidade eferma a bacia do Kwango.

 Ensina o músico folcrorico, Ngombe Jetu, do grupo étcnico bângala, que salmodia o seguinte: « Bossu tweza, batu bosu tweza, na muka cokwe tweza. Na mukwa ambaka

 

O Tribalismo cria um sóciograma desnecessário e instabliza a sociedade que  pretende trilhar no caminho da prosperidade. Não é ético e salutar testemunharmos ainda na sociedade hodierna, académicos devotos do tribalismo.  Para uma boa convivência, é urgente que o homem enquanto ser dotado de razão, faculdade que o diferencia dos outros seres, apartar-se deste sacerdócio enfermo. E na Bacia do Cuango, este problema é actual e actuante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conclusão

 

Sendo o homem um ser social,  manifesta naturalmente a convivência com os outros.  Como sustenta e ensina Artistóteles: “ todo homem que não é social ou é um deus ou um monstro”.  «O homem em geral, já nasce como membro de um grupo: a família. À medida que vai vendo, passa a pertencer a outros» ( Torres, 1983, p.33). Infelizemnte quando um grupo étnico procura reduzir a nada o outro, enferma o desenvolvimento social, político, humano, científico e económico.  O processo de socialização, deve ser fecundo e próspero para que brote a paz social  e humana. Onde se conserve e respeite a dignidade humana. « podemos afirmar que sem contacto com um grupo social, o animal homem  dicifilmente desenvolveria as caratecterísticas  que chamanos humanas»  ( Dias  2005, p.85).

A Bacia do Kwango, é uma região da zona sul da Província da Lunda Norte, com distintos grupos étinico . É nesta abundância das difrentes etnias que se concebe bastante conflito social que tem criado instabilidade nas comunidades. A unidade na diversidade, seria a via salutar para o desenvolvimento da região.  Reconhecer o homem como ser único e a sua raça, aquela que chamamos de humana. Criaria bastante desenvolvimento no seu compto geral.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

BONO E.L., MUNTUÍSMO: A ideia de pessoa na filosofia africana, Paulinas, Editora 2015- Prior Velho- Portugal

BOSCH ,S.E. J.,  A PESSOA EM ROMANO GUARDINI: Textos para reflectir na Antropologia Filosófica, Rubricart Editora, 2018- Benfica- Luanda

DOMINGOS T.L., A VISÃO AFRICANA EM RELACÃO À NATUREZA, Revista Brasileira Histórica das Religiões , ,Maringa v. III Nº 9, Janeiro – 2011

DIAS Reginaldo., INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA, Person Prentice Hall, São Paulo- 2005

TORRE, M.B.L.,  O HOMEM E A SOCIEDADE : uma introdução à Sociologia, 11ª edição, Ed. Nacional, São Paulo- 1983

 

 



[1] [1] Alberto Cambolo Ngonga Baião, lido como Beto Baião, É Filósofo,  Pesquisador,  Poeta, Conferencista, Palestrante, Escritor e Activista Social, é formado em Filosofia pelo Seminário Maior São Paulo- Uíje, homolgante  em Filosofia da Educação Pelo Instituto Superior  Dom Bosco- Universidade Católica de Angola, autor dos Livros:  A Importância do Perdão na Resolução dos Conflitos para o Homem Hodierno, Gritos d´Alma, O Ensino nas Comunidades e a Interfência Político- Partidária. É Professor de História, Articulista do Jornal  Angolano de Artes e Cultura, Comentarista do Programa Diálogo em Família- Rádio Tocoista, Conferencista Residente no Instituto Superior de Ciências da Educção- Uíje e actualmente, é Director Geral do Complexo escolar nº 18 Luz do Amanhã- Cafunfo.

 

 

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