TRIBALISMO: ENFERMIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE
Reflexão antropológica
sobre os conflitos étnicos na Bacia do Kwango- Lunda Norte- Angola.
BETO BAIÃO[1]
Professor e Escritor.
albertobaiao21@gmail.com
RESUMO:
O Presente trabalho, tem por objectivo a reflexão sobre o Tribalismo como en fermidade e obstáculo da sociedade. Nele, procuramos cogitar a
realidade e modus vivendi dos habitantes da Bacia do Kwango, parte sul da
Província da Lunda Norte, onde a diversidade étnica e linguística, ainda é um
problema maior na esfera social. Habintam nesta região, vários grupos étnicos, tais com: os Cokwes,
Bângalas, Lundas ou Rhunda, Mussukistas, Khalis, Pakas, Xinjis, Kaholos e
tantos. Esta diversidade linguística, têm criado constragimentos na política de
inclusão ou então na filosofia da unidade na diversidade. As vezes o homem é
esquecido pelas suas qualidades, por não pertencer a um certo grupo ou tribo, porque
cada um acha-se superior ao outro. A enfermidade
notada no sector público, bem como no privado. Este não é apenas um problema na
Bacia do Kwango, mas sim do país. É por esta razão, que trouxemos esta temática
como via de compreensão desta enfermidade que mata o desenvolvimento de uma
sociedade. Para termos uma sociedade
próspera, é necessário que se coloque e
se reflita bastante sobre o homem na sua dimensão transversal e não pelas suas
características segundárias.
Palavras
chave: Humanismo, Desenvolvimento e Sociedade
Todo homem que devota o
tribalismo é inocente e nega-se a si mesmo enquanto essente que participa no
Ente, aquela que é a causa primeira do homem enquanto ser. Daí que «
entre Deus e os humanos não existe nenhum contrato (aliança), porque diante de
Deus, o homem apresenta-se como criança, sem título para estabelcer um contrato
com o pai» (BONO, 2015, p.21).O Livro
do Gênesis nos remete a uma igualidade totalmente humana, sem cor, tribo ou etnia.
«Façamos o homem a
nossa imagem e semelhança,»( GN 2, 7). De igual modo no novo testamento, a
geneologia de Jesus Cristo, filho de Davi, descreve de modo peculiar que todos
nós, somos um só e viemos da mesma
árvore antropológica. (cf. Mat. 1, 18. ) O homem é ele mesmo e para com os
outros. « o homem participa e faz parte
da grande família que compreende os ancenstrais, os vivos e os que hão de vir no tempo potencial.»(Domingos,
2011 ,p.03) na cosmovisão bantu, o Mutu
ou Munthu revela o ser Pesssoa,
aquele que é ele mesmo e semelhante aos outros.
Esta semelhança, este ser homem remete
a uma estreita ligação para com os outros num ambiente mais social. O Desenvolvimento intregral e harmonioso
deste ser dotado de razão, depende também de uma fecunda contribuição dos
outros. Cf. Bosch, 2018, p.29). O homem é um apenas ser total Porque ele é um
ser dotado de razão e existe para os
outros.
« estar isolado na
sociedade africana, é estar morto» (
Domingos, 2011,p.3).A unidade na
diversidade é uma característica de um verdadeiro africano, aquele que acredita
na humanidade como verdadeira fraternidade. Valores como solidariedade, irmandade,
fraternidade e unidade, deveriam norteiar a filosofia de vida da população da Bacia
do Kwango para a verdadeira prosperidade da região. O Tribalismo cria obstáculos no
desenvolvimento local. É necessário e urgente que deixemos de nos preocupar com o homem pela sua cor,
tribo, raça ou etnia. O homem na sua
plenitude, não se pode difinir com base na pertença, mas sim pelo que mata o
desenvolvimento de uma sociedade que
pretende desenvolver-se seriamente. Na Bacia do Kwango, região que engloba a
parte sul da Lunda Norte, este fenómeno ainda tem uma legião e profundos
devotos, quer na esfera política, social, religiosa, militar, sector
empresarial, desporto, político- partidário, associações e sindicatos. Existem
ainda alguns sociogramas restritos de radicais que procuram exaltar uma certa
etnia para melhor governarem. Outrossim, a gestão de recursos humanos nesta
parcela ainda reflecte um poder
oligarquíco, um ciclo vicioso que aos poucos vai matando o progresso.
Uma socieade onde se
manifesta constantemente a supermacia de uma tribo, raça ou etnia, dificilmente
se desenvolve. E na Bacia do Kwango,
este fenómeno é visível, mormente na
esfera pólitica. Existe nesta região uma
famosa filosofia de governação, aquela que chamam de equilíbrio étnico. Onde,
por exemplo, se um Admnistrador Municipal, Comunal ou distrital for Cokwe,
impera-se categoricamente que os seus auxiliares sejam da outra tribo, mesmo
que não tenham as vezes qualidades suficientes. Mas que seja um cágado por cima
de uma árvore. Esta realidade eferma a
bacia do Kwango.
Ensina o músico folcrorico, Ngombe Jetu, do
grupo étcnico bângala, que salmodia o seguinte: « Bossu tweza, batu bosu tweza,
na muka cokwe tweza. Na mukwa ambaka
O Tribalismo cria um
sóciograma desnecessário e instabliza a sociedade que pretende trilhar no caminho da prosperidade. Não
é ético e salutar testemunharmos ainda na sociedade hodierna, académicos
devotos do tribalismo. Para uma boa
convivência, é urgente que o homem enquanto ser dotado de razão, faculdade que
o diferencia dos outros seres, apartar-se deste sacerdócio enfermo. E na Bacia
do Cuango, este problema é actual e actuante.
Conclusão
Sendo o homem um ser
social, manifesta naturalmente a
convivência com os outros. Como sustenta
e ensina Artistóteles: “ todo homem que não é social ou é um deus ou um
monstro”. «O homem em geral, já nasce
como membro de um grupo: a família. À medida que vai vendo, passa a pertencer a
outros» ( Torres, 1983, p.33). Infelizemnte quando um grupo étnico procura
reduzir a nada o outro, enferma o desenvolvimento social, político, humano,
científico e económico. O processo de
socialização, deve ser fecundo e próspero para que brote a paz social e humana. Onde se conserve e respeite a
dignidade humana. « podemos afirmar que sem contacto com um grupo social, o
animal homem dicifilmente desenvolveria
as caratecterísticas que chamanos
humanas» ( Dias 2005, p.85).
A Bacia do Kwango, é
uma região da zona sul da Província da Lunda Norte, com distintos grupos
étinico . É nesta abundância das difrentes etnias que se concebe bastante
conflito social que tem criado instabilidade nas comunidades. A unidade na
diversidade, seria a via salutar para o desenvolvimento da região. Reconhecer o homem como ser único e a sua
raça, aquela que chamamos de humana. Criaria bastante desenvolvimento no seu
compto geral.
BIBLIOGRAFIA
BONO E.L., MUNTUÍSMO: A ideia de pessoa na filosofia
africana, Paulinas, Editora 2015- Prior Velho- Portugal
BOSCH ,S.E. J., A
PESSOA EM ROMANO GUARDINI: Textos para reflectir na Antropologia Filosófica,
Rubricart Editora, 2018- Benfica- Luanda
DOMINGOS T.L., A VISÃO AFRICANA EM RELACÃO À NATUREZA,
Revista Brasileira Histórica das Religiões , ,Maringa v. III Nº 9, Janeiro –
2011
DIAS Reginaldo., INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA, Person Prentice
Hall, São Paulo- 2005
TORRE, M.B.L., O
HOMEM E A SOCIEDADE : uma introdução à Sociologia, 11ª edição, Ed. Nacional,
São Paulo- 1983
[1]
[1]
Alberto
Cambolo Ngonga Baião, lido como Beto
Baião, É Filósofo, Pesquisador, Poeta, Conferencista, Palestrante, Escritor e
Activista Social, é formado em Filosofia pelo Seminário Maior São Paulo- Uíje,
homolgante em Filosofia da Educação Pelo
Instituto Superior Dom Bosco- Universidade
Católica de Angola, autor dos Livros: A
Importância do Perdão na Resolução dos Conflitos para o Homem Hodierno, Gritos
d´Alma, O Ensino nas Comunidades e a Interfência Político- Partidária. É
Professor de História, Articulista do Jornal
Angolano de Artes e Cultura, Comentarista do Programa Diálogo em
Família- Rádio Tocoista, Conferencista Residente no Instituto Superior de
Ciências da Educção- Uíje e actualmente, é Director Geral do Complexo escolar
nº 18 Luz do Amanhã- Cafunfo.